Do Alfeite a Santo António dos Cavaleiros (SAC)
O Percurso
Eu, nem sempre vivi aqui. Nasci no Alfeite, num dos antigos bairros da Base Naval (margem sul) e lá estive até aos 27 anos.
Foi um belo período da minha vida, foi bom viver a minha juventude na bela mata do Alfeite e ter os meus amigos que ainda hoje recordo, bem como as brincadeiras que fazíamos, as “futeboladas” que jogávamos, a natação na óptima piscina que lá existe, as renhidas partidas de ténis, os passeios à vela Tejo acima com o meu amigo Guilherme e outros amigos (e que chegavam a durar oito dias) e os voos e acrobacias em “Tiger Moth", na Granja do Marquês-Sintra, com o meu amigo Tomás. Recordo ainda com saudade as observações do céu no telescópio (à data o maior da Península Ibérica) do Comandante Conceição Silva, um excepcional Astrónomo e matemático, pessoa de grande cultura e inteligência ímpar e um extraordinário ser humano de uma integridade a toda a prova que muito contribuiu para a minha formação (como pessoa), assim como, a sua carinhosa esposa D. Helena (uma 2ª mãe para mim) e também os seus filhos Guilherme e Tomás, que foram como irmãos. Enfim, uma infância bem preenchida que jamais irei esquecer.
Depois, fui viver para o Laranjeiro, ali bem perto do Alfeite, onde me mantive até arranjar trabalho em Lisboa na zona do Lumiar.
As deslocações tornaram-se difíceis e optei por vir para a margem norte (do Tejo) e, assim, dei por mim, quase por acaso, em Stº. Antº. dos Cavaleiros (na década de 70 do século passado).
Uma década antes, da minha chegada aqui a este pequeno (na altura) burgo, o território que constitui hoje a freguesia de Santo António dos Cavaleiros era habitado por umas escassas dezenas de famílias. A maior parte concentrada nas povoações de Ponte de Frielas e Flamenga, estando outras dispersas por alguns Casais e Quintas.
Nas zonas mais altas do que é hoje Santo António dos Cavaleiros têm-se encontrado vestígios, de ocupação, na época pré-histórica especialmente em estações arqueológicas semi-exploradas, como a do Casal do Monte, considerada Imóvel de Interesse Público (vamos a ver até quando!!!).
A partir do séc.XVI, a zona onde se situa hoje S. António dos Cavaleiros começa a ser “descoberta” por várias famílias da Aristocracia que aí têm grandes extensões de terra. As grandes Quintas, com as suas casas apalaçadas, de que ainda restam alguns exemplares, faziam sentir o seu peso e domínio sobre a economia rural da região.
A freguesia de S. António dos Cavaleiros mais não é que o somatório das várias quintas existentes na região. Numa destas, a do Conventinho, existiu o convento Franciscano do Espírito Santo, que foi recuperado, albergando hoje um espaço cultural importante do Concelho de Loures.
A designação de Santo António dos Cavaleiros só apareceu na década de 60, quando a empresa que urbanizou o local encontrou, durante o desaterro da zona, um brasão em pedra, cujo motivo principal era constituído por um elmo de cavaleiro e três cães, e que foi colocado na entrada principal da povoação junto à EN8. A partir desta descoberta a denominação do local passa a ser a que vigora até hoje.
Entre 1960 e 1970 a zona regista aumentos populacionais extraordinários e tem hoje em dia cerca de 25000 habitantes. A freguesia de Santo António dos Cavaleiros foi criada em 1989. Tem uma área de 3,62km2. É uma freguesia tipicamente dormitório em que a função residencial é preponderante. A população é essencialmente jovem, dedicando-se maioritariamente ao sector terciário e, em que 50%, é economicamente activa. Tem todos os graus de ensino, desde o 1º ciclo do ensino básico ao secundário.
Santo António dos Cavaleiros é hoje uma vila situada a norte de Lisboa a escassos quilómetros desta (4km pela saída da Calçada de Carriche), e tem acesso pela EN8 ou pela A8, vindo de Lisboa, ou de Loures.
O núcleo mais antigo (feito pela ICESA e onde resido) é para mim, a parte habitacional mais bem conseguida da freguesia e, ainda hoje, se mantém muito actual e um bom exemplo de urbanismo a preservar, devidamente, pelas entidades competentes que, infelizmente, parecem dar agora mostras de uma profunda insensibilidade ao aprovar, junto a este exemplo de bom urbanismo, um projecto de gosto duvidoso acabando de vez com a qualidade de vida de quem aqui habita há trinta e tal anos.
Conclusão: Nos idos anos de 60, a ICESA deu um exemplo e fez urbanismo que se pode classificar como exemplar! No século XXI, pretende-se fazer o que era comum nesses velhos tempos das “Reboleiras”, dando, mais uma vez, primazia ao betão e a interesses que não têm nada a ver com a vontade de quem aqui habita!
Mas, agora, passemos às motas que é o que aqui nos traz!